segunda-feira, 10 de setembro de 2012

De volta aos trilhos do trem-bala - Jornal do Commercio


   
Jornal do Commercio (RJ)
De volta aos trilhos do trem-bala


O trem-bala, projeto polêmico, de valor estimado em R$ 33,6 bilhões, pode estar mesmo saindo da estação. Com o leilão da primeira fase marcado para 29 de maio do próximo ano, após três licitações que tiveram de ser adiadas por falta de interessados, o empreendimento começa a movimentar mais intensamente grupos que querem fornecer tecnologia e operar o sistema, que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. O dire-tor-presidente da espanhola CAF no Brasil, Paulo Fontenele, diz que o risco da construção civil foi eliminado, porque o governo assumiu essa parte. A-4

Estrangeiros já avaliam viabilidade do trem-bala
A japonesa Mitsui, a francesa ALstom, a canadense Bombardier e a espanhola CAF já se movimentam para participar do polêmico projeto estimado em R$ 33,6 bilhões
Otrem-bala, projeto polêmico, de valor estimado em R$ 33,6 bilhões, pode estar mesmo sain-do da estação. Com o leilão da primeira fase marcado para 29 de maio do próximo ano, o em-preeendimento começa a movimentar mais intensamente os interessados em fornecer a tecnologia e em operar o sistema, que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Quatro empresas estrangeiras confirmaram interesse em participar do certame: a japonesa Mitsui, a francesa Alstom, a canadense Bom-bardier e a espanhola CAF.
Segundo informou o diretor da Mitsui no Brasil, Kazuhisa Ota, a empresa está formando um consórcio com outras grandes companhias japonesas, como Toshiba, Hitachi e Mitsubishi Heavy Industries, a quem caberia o papel de liderar a parte tecnológica do grupo. Na opinião de Ota, a mudança no modelo da licitação, que separou a operação e a infraestrutu-ra do Trem de Alta Velocidade (TAV), foi bem-vinda. A visão é que, agora, as empresas estrangeiras detentoras de tecnologia ficam menos expostas aos riscos da obra civil do projeto. "Essa nova modelagem facilita as coisas", disse Ota.
O diretor-presidente da CAF no Brasil, Paulo Fontenele, concorda. "O risco da construção civil foi eliminado, porque o governo assumiu essa parte. Estamos vendo o leilão com
muita serenidade." A CAF e a também espanhola Renfe formarão consórcio para participar da primeira fase da disputa, e o grupo deverá ter parceiros brasileiros. "Estamos trabalhando, nossos estudos estão prontos. Estamos montando um consórcio a partir da Espanha", afirmou Fontenele.
De acordo com ele, todo o material rodante a ser utilizado, caso o consórcio seja o vencedor, será fornecido pela CAF, que já possui uma fábrica de vagões em Hortolândia (SP). "Queremos fabricar os trens em Hortolândia e já estamos estudando a ampliação da fábrica."
Já a francesa Alstom informou que há uma equipe "totalmente dedicada a analisar todo o pacote das condições, a fim de ter um posicionamento preciso sobre o projeto". "A Alstom tem intenção de seguir na sua parceria com a operadora nacional francesa SNCF e, neste âmbito, Alstom e SNCF reafirmam o interesse no projeto e vão continuar discutindo isso com todas as partes interessadas, a fim de ajudar a trazer a tecnologia de trens de alta velocidade para o Brasil", informou a empresa por meio de sua as-sessoria de imprensa.
Bombardier
Outra companhia de olho no leilão é a canadense Bombardier, que acompanha "o processo de perto há alguns anos e
quando a hora certa chegar
anunciará o modelo da possível participação". Para a Bombardier, o TAV que ligará os dois maiores centros urbanos brasileiros é essencial para o desenvolvimento econômico e social da região. A empresa avalia que o acesso entre Rio e São Paulo chegou ao limite pelos meios de transporte disponíveis.
Segundo uma fonte do governo que acompanha o tema, o leilão do trem-bala atrai ainda empresas da Coréia do Sul e da Alemanha, neste caso representada pela Siemens. Procurada, a Siemens informou que não comentaria o assunto. Já a operadora alemã de ferrovias Deutsche Bahn disse não ter interesse em atuar como operadora no projeto. Porém, seu grupo de consultoria e engenharia, DB International, já atua no Brasil em projetos como a otimização das operações da SuperVia, no Rio de Janeiro.
"A DB International não é construtora ou operadora, ela assume consultoria profissional ou funções de controle em certas fases de projetos de construção. É possível que haja um papel de consultoria no consórcio no futuro", informou a companhia.
O leilão do trem-bala deveria ter ocorrido em dezembro de 2010, mas a licitação foi adiada para abril de 2011 e depois para julho daquele ano. Como nenhuma empresa ou consórcio entregou proposta naquela oca-
sião, o governo mudou o modelo da licitação, dividindo o projeto em duas partes.
Dúvidas
A presidente Dilma Rousseff é entusiasta do projeto, que tem investimento total estimado em R$ 33,6 bilhões e é prioridade no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A versão final do edital do leilão da primeira fase do trem-bala ainda não foi divulgada, e por isso persistem algumas dúvidas a respeito das regras que permitirão ou não a presença de alguns grupos estrangeiros na disputa.
Para a escolha do operador do trem-bala, o governo incluiu algumas exigências qualitativas, como a necessidade de o operador já atuar há pelo menos dez anos com o serviço de transporte de alta velocidade e j não ter sido responsabilizado nesse período por nenhum acidente fatal em suas linhas.
"Temos que saber qual é a definição de 'acidente'. E um atropelamento? Só saberemos quando sair o edital", afirmou o professor do Departamento de Transportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
(USP) Teimo Giolito Porto. Segundo uma fonte do governo, que preferiu não se identificar, as novas regras deixam de fora um possível operador chinês para o projeto brasileiro.
A taxa interna de retorno do projeto deve ser de 6,32% ao ano durante o prazo de 40 anos da concessão. A minuta do edital estabelece ainda tarifa-teto de R$ 0,49 por quilômetro percorrido, a ser cobrada na classe econômica no trajeto de 412 quilômetros entre as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.
O critério para escolha do vencedor do leilão será o da melhor relação entre o valor de outorga oferecido pelo investidor e o menor custo,de investimento que esse operador exigir para a construção da in-fraestrutura da ferrovia.
O leilão de infraestrutura está previsto para o início de 2014. O prazo máximo para a construção do trem-bala, segundo a minuta de edital, é 2020. A meta do governo, porém, é ter a obra pronta em 2018. (Com Agência Reuters)
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